sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O rito moçárabe

Este post agora pode ser visto aqui.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Abortista, você consegue escolher?

Qual desses dois bebês merece viver? O da esquerda ou o da direita?


Os dois merecem!!! Eles são a mesma criança!!!

Normas para acólitos do rito gregoriano (tridentino)

(São Tarcísio, padroeiro dos acólitos)

Introdução

A paróquia ou comunidade em que a Santa Missa é celebrada no rito gregoriano deve ter um grupo bem formado de acólitos. A função de servir ao sacerdote no altar era antes reservada exclusivamente aos clérigos, que para isso recebiam uma ordem menor. Porém, com a escassez do clero, esta função passou a ser permitida a leigos, em geral meninos ou rapazes (notem que, por manter a simbologia de que os que servem ao altar possuem algo do ministério sacerdotal, nas missas tridentinas apenas homens podem cumprir a função de acólito), que são assim admitidos a uma das funções mais dignas da Igreja. Servir ao celebrante no altar é servir ao próprio Jesus, Sacerdote que se oferece em Sacrifício ao Pai na Divina Liturgia. Podemos, desse modo, dizer que o acólito é o pajem do Divino Rei.

O grande destaque que o acólito tem entre os fiéis e sua grande proximidade do altar vão exigir dele um ótimo comportamento e disciplina. Vamos ver aqui algumas normas e conselhos para sua atuação na Missa, mas, antes, gostaria de pedir que os leitores brasileiros que cumprem essa nobre função se cadastrem no site Missa Tridentina, mantido pelo nosso confrade Paulo:

http://www.missatridentina.com.br/index.php?option=com_ckforms&view=ckforms&id=6&Itemid=58

OBS 1: Eu prefiro explicar o fundamento das coisas, mas como nos dias atuais, frente a onda de desobediência que há dentro da Igreja, sempre é bom falar em normas, aqui vai uma declaração recente da Ecclesia Dei sobre o uso de meninas como acólitas em missas no rito gregoriano (http://fratresinunum.com/2011/06/08/ecclesia-dei-esclarece-nao-as-acolitas-na-missa-tradicional/):

Depois de uma denúncia e conseqüente comoção veiculada no famoso blog do padre Zuhlsdorf (WDTPRS) sobre a decisão do capelão da Universidade de Cambridge de utilizar meninas acólitas em sua missa no rito tradicional, eis que chega a resposta da PECD:

Prot. N. 092/2010

Cidade do Vaticano, 19 de maio de 2011.

Caro X,

Esta Comissão Pontifícia gostaria de lhe agradecer por sua gentil carta na qual o senhor essencialmente questiona o uso de servas do altar (sexo feminino) na Forma Extraordinária da Missa.

Esta Comissão, em sua Instrução aprovada pelo Santo Padre em audência concedida ao Presidente desta Pontifícia Comissão, está apta a especificar sua posição citando o n. 28 da mesma Instrução:

“Outrossim, por força do seu caráter de lei especial, no seu próprio âmbito, o Motu Proprio Summorum Pontificum derroga os textos legislativos inerentes aos sagrados Ritos promulgados a partir de 1962 e incompatíveis com as rubricas dos livros litúrgicos em vigor em 1962″.

A esse respeito, a carta Circular da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos de 1994 (cf. Notitiae 30 [1994] 333-335) que permite servas do altar não se aplica à Forma Extraordinária.


Contudo, como é sempre requerida uma pessoa para responder à Missa, caso só exista uma mulher para isso, ela é que responderá, só não subirá ao altar (nesse caso o padre faz tudo).

OBS 2: As normas que vou postar aqui devem ser vistas como um instrumento, ou seja, ninguém deve "morrer" pelo fato de ter falhado em algum detalhe, até por que só se aprende de fato depois de "se jogar", isto é, depois de errar algumas vezes. Caso o sacerdote seja neurótico em relação a esse tipo de coisa, é bom pensar duas vezes se se vai acolitar ou não (infelizmente tenho de dar esse conselho, pois nem todo mundo tem espírito para aguentar certas coisas).

1) Normas gerais de conduta

a) Considerar grande honra ser acólito: procure valorizar este nome e ser fiel a esta graça.

b) Fazer bem feita cada tarefa, lembrando que está trabalhando para Deus.

c) Piedade: grande amor a Jesus na Eucaristia. Procurar visitar sempre o Santíssimo. Comunhão freqüente com ação de graças bem feita.

d) Viver no estado de graça, lembrando que ajudar na Missa é um ofício mais dos anjos que dos homens.

e) Seriedade e responsabilidade: levar a sério sua função; não faltar para não deixar o padre sozinho no altar.

f) Silêncio: na igreja e na sacristia. Na igreja não falar, rir, nem fazer sinais.

g) Respeito e obediência ao padre, ao cerimoniário, aos mais velhos e encarregados de cada setor.

h) Bom exemplo: no catecismo, em casa, na escola, na rua. Ter assiduidade, piedade, zelo e dedicação a seus deveres de estado.

OBS: É evidente que algumas dessas regras são mais voltadas para acólitos mais novos, de modo que os adultos devem fazer as devidas adaptações.

  
2) Normas gerais de postura litúrgica

a) Ajoelhado: ereto, sem cruzar ou balançar os pés.

b) De pé: sobre as duas pernas, pés direitos, cabeça erguida.

c) Sentado: corpo ereto, joelhos unidos, mãos sobre as pernas.

d) Andando: devagar. De olhos baixos. Nunca andar de costas ou de lado: sempre de frente.

e) Genuflexão: com o joelho direito (este deve ficar do lado do calcanhar esquerdo), corpo ereto, mãos postas. Na genuflexão dupla: dois joelhos, mãos postas, inclinação média.

f) Mãos: estão sempre postas, ou seja, as duas palmas abertas e unidas à altura do peito, com o polegar direito em cima do esquerdo. Se uma das mãos está ocupada, a outra ficará sobre o peito. Nunca andar com as mãos balançando.

g) Olhos: sempre baixos. Nunca olhar para o povo, muito menos olhar para trás.

h) Palavras: pronunciar bem as respostas em latim.

3) Regras para ajudar a Missa rezada com 1 acólito


3.1) Regras detalhadas

1. O acólito da Missa, sempre que possível, deve apresentar-se vestido de batina e sobrepeliz. O religioso pode vestir a sobrepeliz por cima de seu hábito. Uma túnica branca também é aceitável (eu particularmente prefiro as túnicas). Em último caso, mesmo com uma roupa civil, desde que digna, pode-se acolitar.

→ Vou postar fotos de acólitos de batina preta, vermelha, de túnica e com uma roupa civil (no caso, um paletó, mas podia ser outra), para ver se os tradicionalistas da "pastoral do pano" param com suas donzelisses nesse assunto.

2. Na sacristia, quando o sacerdote começa a paramentar-se, deve colocar-se à sua esquerda e oferecer-lhe sucessivamente o amito, a alva, o cíngulo, a estola e a casula. Depois que o sacerdote põe o cíngulo, ajusta a alva de maneira que as suas extremidades fiquem igualmente elevadas do chão e as pregas igualmente distribuídas.

3. Uma vez paramentado o sacerdote, tomará o missal segurando-o com ambas as mãos, por baixo, tendo-o diante do peito e com a abertura para o lado esquerdo.

 4. Ao partir da sacristia, fará reverência à cruz, juntamente com o sacerdote, e lhe oferecerá água benta, seguindo na sua frente. Se a Missa não for no altar-mor ou no altar do Santíssimo, passando por estes fará genuflexão simples, e, se o Santíssimo estiver exposto, fará genuflexão dupla, juntamente com o sacerdote.

5. Chegando ao altar, receberá com a mão direita o barrete, beijando-o, depois de ter beijado também a mão do sacerdote; fará genuflexão junto com o sacerdote, colocando em seguida o Missal no altar sobre a estante (ou almofada), e o barrete na credência do lado da Epístola.

→ Note-se que o acólito sempre faz genuflexão durante a Missa, desde a chegada até a saída, mesmo se não há Santíssimo no sacrário.


 6. De volta da credência, passará para o lado do Evangelho, fazendo genuflexão no meio, ficando de pé, mãos postas e virado para o altar. Nas missas com o povo, antes de ir para o seu lugar ao lado do Evangelho, o acólito tocará a campainha, na credência, assim que o celebrante, após abrir o missal, se dirigir para o meio do altar.

7. Quando o sacerdote desce o degrau para começar a Missa, se ajoelhará não chão (e não no degrau) e benzendo-se com ele, responderá com voz clara e compassada, conservando sempre as mãos postas e a cabeça virada para o altar (evidente que se o acólito não sabe as respostas decoradas, terá um missal ou livreto nas mãos).

→ Sempre que o sacerdote se benze ou bate no peito, o acólito fará o mesmo (exceto no Confiteor que o acólito também reza depois do sacerdote e durante o Cânon).

8. O Confiteor deve ser rezado com inclinação profunda (só ao “Indulgentiam é que cessa a inclinação); às palavras “tibi pater” e “te pater” o acólito deve virar-se para o sacerdote.

9. Quando o sacerdote subir ao altar, o acólito levantará com a mão direita a extremidade dianteira da alva para não ser pisada e passará a ajoelhar-se sobre o degrau, aí ficando de joelhos até o fim da Epístola.

10. Terminada a Epístola, responderá “Deo gratias” e, levantando-se, irá buscar o missal para passá-lo ao lado do Evangelho, esperando, porém, ao lado do sacerdote, até que este se dirija para o meio do altar.


11. No princípio do Evangelho fará o sinal da cruz juntamente com o celebrante, estando virado para ele e ao seu lado esquerdo, e, ao ouvir a palavra “Jesus” fará reverência e voltará para o lado da Epístola onde ficará até o fim do Evangelho, de pé e mãos postas.

12. Senta-se durante a homilia.

13. Durante o Credo se conservará de joelhos.

14. Terminado o Credo e dito o “Oremus”, subirá ao altar para dobrar o véu do cálice, colocando-o dobrado sobre o altar (com a cruz para cima), e se dirigirá para a credência, trazendo as galhetas para o lado do altar, tomando a do vinho na mão direita e a da água na mão esquerda. Oferecerá ao sacerdote primeiro a do vinho, beijando-a na alça antes de dar e depois de receber, e depois a da água, com a colherinha (se houver).

15. Logo em seguida levará as galhetas para a credência e voltará para o “Lavabo” com a galheta de água na mão direita e o pratinho do Lavabo na mão esquerda, colocará no braço direito o manustérgio, ou colocará sobre o altar ou debaixo do pratinho, pendente na direção do sacerdote. No Lavabo, quando o sacerdote se aproxima, o acólito lhe fará reverência antes de derramar a água, como também depois, antes de voltar para a credência. Terminado o “Lavabo” tomará a campainha da credência e irá se ajoelhar do lado da Epístola.

16. Ao “Orate frates” esperará que o sacerdote termine de dar a volta, para começar a responder o “Suscipiat”.


 17. Ao “Sanctus” tocará três vezes a campainha e o “Benedictus” se benzerá com o sacerdote.

18. Antes da elevação, quando o sacerdote estender as duas mãos sobre o cálice, dará um toque de campainha, levantar-se-á e levando a campainha irá se ajoelhar bem perto do celebrante, mas atrás e para o lado. Durante a elevação (tanto da hóstia como do cálice) tocará três vezes a campainha, bem espaçadamente, sustentando com a mão esquerda a ponta da casula, e inclinando-se, dando um toque na campainha, quando o sacerdote faz a genuflexão.

19. Terminada a elevação, voltará a ajoelhar-se onde estava. Ao “Per ipsum” (pequena elevação), tocará a campainha; ao “Agnus Dei” baterá três vezes no peito como o sacerdote, e ao “Domine non sum dignus” tocará três vezes a campainha.

20. Quando o sacerdote faz a genuflexão após ter tomado a Hóstia, o acólito levanta-se e vai à credência buscar a patena. Ajoelha-se no seu lugar e, enquanto o sacerdote toma o cálice, reza o “Confiteor” e responde “Amen” ao “Misereatur” e ao “Indulgentiam”. Toca a campainha quando o sacerdote abre o sacrário (naturalmente, se na Missa foram consagradas partículas suficientes para o povo em alguma âmbula isso não ocorrerá). Toca a campainha três vezes quando o padre diz “Domine non sum dignus” (melhor, toca uma vez no primeiro “Domine non sum dignus”, duas no segundo e três no terceiro).

Quando o sacerdote vai se dirigir para a mesa da comunhão, o acólito se levanta, afasta-se para a esquerda sem voltar as costas para o Santíssimo, deixa o padre passar e o acompanha pelo lado direito, colocando bem a patena sob o queixo dos comungantes, acompanhando o movimento da mão do sacerdote.

O acólito deve segurar a patena sem tocar no centro dela, sempre em posição horizontal.

No final entrega a patena ao sacerdote. Bate a campainha ao fechar-se o sacrário.


21. Abluções: o acólito vai à credência e traz para o altar as duas galhetas de vinho e água, uma em cada mão. Fica atento aguardando que o padre incline o cálice para a ablução. Então porá vinho no cálice e, pouco depois, vinho e água, devagar e aos poucos, parando quando o celebrante erguer o cálice ou os dedos (hoje em dia, alguns padres, acostumados com o rito paulino, evitam o uso de vinho nas abluções – o acólito deve ser maduro o bastante para perceber essas coisas).

22. Voltará em seguida para a credência onde deixa as galhetas, cobrindo-as, e, vindo novamente para o altar, levará o véu dobrado, segurando-o com ambas as mãos, para o lado do Evangelho e de lá passará o missal para o lado da Epístola, fazendo genuflexão ao passar pelo meio do altar.

23. Posto o missal no altar (reto, não em diagonal), voltará para o lado do Evangelho para entregar ao sacerdote a bolsa e o véu; depois se ajoelhará no degrau do lado do Evangelho.

24. Dada a bênção pelo sacerdote, levantar-se-á indo imediatamente para perto do altar do lado do Evangelho e aí fará o sinal da cruz, respondendo ao sacerdote. Ao “Et Verbum caro factum est” fará genuflexão.
25. Em seguida, feita reverência ao celebrante, passará para o lado da Epístola, indo buscar na credência a folha com as orações finais (se for preciso). Ajoelhar-se-á no chão para responder às orações finais. Terminadas as orações, levará a folha para a credência, trará o barrete, apanhará o missal, farpa genuflexão com o sacerdote, dar-lhe-á o barrete, beijando-o primeiro e depois a mão do sacerdote, e voltará para a sacristia, na frente, da mesma forma que veio para o princípio da Missa.

26. Chegando à sacristia fará reverência à cruz com o sacerdote, receberá o barrete e se ajoelhará para receber a bênção do sacerdote. Depois, colocará o barrete juntamente com o missal sobre a messa; passando depois para a esquerda do sacerdote, o ajudará a desvestir-se, recebendo os paramentos e colocando-os em ordem sobre a mesa.

27. Terminado tudo, fará uma reverência ao sacerdote e lhe pedirá a bênção, retirando-se da sacristia.

→ Se comungou, deverá ir para a igreja para fazer a ação de graças. Depois (caso sejam da igreja), guardar no seu lugar a batina e o sobrepeliz ou túnica. Se for encarregado, deverá arrumar o altar, apagar as velas e guardar os paramentos.

3.2) Regras simplificadas

Não se pretende dar aqui um cerimonial completo, mas apenas as indicações mais necessárias que possam servir de guia a qualquer pessoa que benevolentemente se apresente ou seja solicitada para ajudar à Missa:

1) À chegada ao altar: o acólito faz genuflexão no plano, à esquerda do celebrante; está de pé até este descer do altar.

2) Orações ao pé do altar: de joelhos à esquerda do celebrante. Benze-se ao mesmo tempo que ele. Depois de este ter recitado o Confiteor, volta-se para ele, com a cabeça ligeiramente inclinada, e diz Misereatur; inclina-se, e recita o Confiteor, conservando-se inclinado ate o Amen depois do Misereatur dito pelo celebrante. Quando o celebrante sobe ao altar, ajoelha-se no primeiro degrau.

3) Depois da Epístola: responde Deo gratias; vai à direita do celebrante, espera que ele termine o Gradual, etc., pega no missal, passa-o para o lado esquerdo do altar (lado do Evangelho), fazendo genuflexão ao passar pelo meio. Depois de responder Gloria tibi Domine, passa para o lado direito (lado da Epístola) fazendo genuflexão.

4) Durante o Evangelho: de pé no plano, voltado para o celebrante.

5) Homilia: senta-se.

6) Credo: de joelhos, no primeiro degrau.


7) Ofertório: de pé no último degrau, do lado da Epístola, apresenta as galhetas (primeiro a do vinho, depois a da água); depois ministra ao Lavabo, deitando água nas mãos do celebrante e apresentando-lhe o manustérgio.

8) Até à consagração: de joelhos no primeiro degrau, do lado direito. Ao Sanctus, toca por três vezes a campainha. Quando o celebrante estende as mãos sobre o cálice, dá um sinal de campainha, sobe e ajoelha-se na borda do último degrau, à direita; levanta a casula e toca três vezes a campainha a cada uma das duas elevações, e uma a cada genuflexão do sacerdote (uma antes e uma depois de cada elevação).

9) Depois da consagração até a comunhão: de joelhos no primeiro degrau, do lado direito. Toca três vezes a campainha ao Domine non sum dignus.

10) Comunhão: se houver fiéis para comungar, enquanto o celebrante toma o Preciosíssimo Sangue, recita o Confiteor, inclinando-se profundamente; comunga, se houver de comungar, antes dos outros fiéis, ajoelhado na borda do último degral. Se tiver patena, leva-a para a comunhão dos fiéis, segurando-a abaixo do pescoço deles.

11) Depois da comunhão: vai à credência e traz para o altar as duas galhetas de vinho e água, uma em cada mão. Fica atento aguardando que o padre incline o cálice para a ablução. Então porá vinho no cálice e, pouco depois, vinho e água, devagar e aos poucos, parando quando o celebrante erguer o cálice ou os dedos (hoje em dia, alguns padres, acostumados com o rito paulino, evitam o uso de vinho nas abluções – o acólito deve ser maduro o bastante para perceber essas coisas). Pousa as galhetas na credência, e vai buscar o missal para o lado da Epístola; apresenta ao celebrante o véu do cálice. Depois, vai ajoelhar-se no primeiro degrau do lado esquerdo, como no princípio da Missa.

12) Último Evangelho: de pé; depois de responder Gloria tibi Domine, passa para o lado direito; genuflecte às palavras Et Verbum caro factum est. Havendo um último Evangelho especial (neste caso o celebrante deixará o missal aberto), passa o missal para o lado do Evangelho.

13) Últimas orações: de joelhos, à direita do celebrante.

14) Ao retirar-se: fazer genuflexão diante do altar.

3.3) Regras "vapt-vupt"

Para quem participou de poucas missas no rito gregoriano ou mesmo de nenhuma e é chamado a acolitar:

1. Fica do lado oposto ao do missal.

2. Responde com o que está em negrito no missal dos fiéis (+ Gloria, Credo e Sanctus).

3. Sempre genuflecte ao passar pelo meio.

4. Depois da Epístola move o missal para o lado esquerdo do altar e fica de pé, voltado para o celebrante, do lado direito.

5) Se o padre fizer homilia, senta-se.

6. No Ofertório leva ao padre as galhetas e depois o lavabo.

7. No Cânon ajoelha-se no último degrau, próximo do celebrante. Toca a campainha a cada genuflexão dele (antes e depois da consagração de cada um dos elementos) e três vezes compassadas a cada elevação.

8) Volta ao primeiro degrau e responde tudo até a Comunhão.

9) Após o sacerdote consumir o Preciosíssimo Sangue diz o Confiteor e as demais respostas.

10) Segura a patena para a comunhão dos fiéis.

11) Vai à credência e traz para o altar as duas galhetas de vinho e água, uma em cada mão. Fica atento aguardando que o padre incline o cálice para a ablução. Então porá vinho no cálice e, pouco depois, vinho e água, devagar e aos poucos, parando quando o celebrante erguer o cálice ou os dedos (hoje em dia, alguns padres, acostumados com o rito paulino, evitam o uso de vinho nas abluções – o acólito deve ser maduro o bastante para perceber essas coisas). Pousa as galhetas na credência, e vai buscar o missal para o lado da Epístola; apresenta ao celebrante o véu do cálice. Depois, vai ajoelhar-se no primeiro degrau do lado esquerdo, como no princípio da Missa.

12) Depois da bênção, sobe ao último degrau e segura a sacra com o Último Evangelho para o padre ler.

13) Reza com o celebrante as últimas orações, ajoelhado no plano, à direita dele.

4) Particularidades da Missa rezada com 2 acólitos


1. Princípios gerais:

→ Eles se colocam ao pé do altar; no plano, de cada lado: o primeiro do lado da Epístola e o segundo do lado do Evangelho.

→ Antes e depois dos diversos deslocamentos, eles vêm juntos fazer a genuflexão no meio do altar, no plano.

→ É sempre o primeiro acólito que toca a campainha.

2. Na saída da sacristia: o segundo vai à frente, toca o sino da entrada e, chegando ao altar, deixa o primeiro, que leva o missal, e o celebrante passarem diante dele.

3. Depois da Epístola: o primeiro acólito transporta sozinho o missal; o segundo acólito se levanta para ouvir o Evangelho, ou transporta o pedestal do microfone, se for o caso.

4. Ao Ofertório: após a genuflexão, o segundo sobre ao altar para dobrar o véu do cálice, enquanto o primeiro vai à credência apanhar as galhetas, toma a do vinho e dá a de água, com a colherinha (se houver), para o segundo acólito; e ambos vão até o lado direito do altar.

5. No Lavabo: o primeiro derrama água sobre os dedos do padre e, ao mesmo tempo, segura o pratinho. O segundo apresenta o manustérgio.


6. Na elevação: sobem ambos para os lados do padre, um pouco atrás, e levantam um pouquinho a casula só na elevação.

7. Depois da comunhão dos fiéis: o primeiro acólito serve o padre nas abluções e guarda a patena enquanto o segundo aguarda de joelhos. A seguir, o segundo sobe e transporta o missal ao mesmo tempo em que o primeiro toma e transporta o véu do cálice; o primeiro deixa o segundo passar diante dele, por respeito pelo missal que ele transporta. O primeiro apresenta ao padre a bolsa aberta, o véu e de novo a bolsa fechada, enquanto o segundo o aguarda no plano do lado da Epístola. Ambos fazem a vênia ao altar e vêm juntos ao meio, onde genuflectem, vão o primeiro para a esquerda e o segundo para a direita. Destrocam os lugares quando o primeiro voltar da resposta ao último Evangelho.

5) Modo de ajudar na Missa rezada de um bispo


1. Arrumação:

a) Do altar:

→ Arrumar o paramento no meio do altar, com o manípulo ao lado.

→ Não precisa colocar sacra se tiver o "cânon".

→ O missal já deve estar aberto na Missa do dia.

→ Acende-se quatro velas.

→ Coloca-se uma candela ao lado do Missal (a candela deve estar sempre junto ao Missal).

b) Da credência: arruma-se para a Missa como é de costume acrescentando o lavabo do bispo (jarro, bacia e toalha) e um pratinho para colocar a cruz e o solidéu. O cálice deve ser colocado na credência da Missa.

2. Para a Missa rezada de um bispo, sempre se requerem dois acólitos. Chegando à igreja, o bispo fará as orações preparatórias no genuflexório: os acólitos ficarão de joelhos a seus lados. Depois que o bispo fizer as orações preparatórias, faz-se o Lavabo no meio do altar (o primeiro acólito leva o jarro e a bacia; o segundo acólito a toalha e o sabonete – se houver), o segundo acólito tira o genuflexório e coloca o “cânon” em frente ao sacrário (no lugar da sacra maior), o primeiro acólito traz o pratinho para o bispo colocar a cruz peitoral e o solidéu, e depois os acólitos ajudam o bispo a se paramentar. Os acólitos devem levar os paramentos ao bispo, um de cada vez. Depois que o bispo se paramentar, o primeiro acólito traz o pratinho e coloca o solidéu no bispo; o segundo acólito vai ajoelhar-se com o manípulo nas mãos.

3. Depois da absolvição para o povo, na oração aos pés do altar, o segundo acólito entrega ao bispo o manípulo (o lado aberto deve estar virado para a direita).

4. Depois da Epístola, o primeiro acólito passa o missal e o segundo acólito passa a candela.

5. O Ofertório: o primeiro acólito coloca o cálice no meio do altar. Tudo segue normal, sendo que o Lavabo se faz de joelhos: o primeiro acólito segura o jarro e a bacia, e o segundo a toalha.

Depois da Secreta, o primeiro acólito pega o pratinho na credência, tira o solidéu do bispo e o coloca no pratinho. O segundo acólito tira o missal da estante e coloca em seu lugar o “cânon” (o missal vai para a credência). Se não houver “cânon”, nada do que foi dito será feito.

6. Na hora da comunhão dos fiéis, o primeiro acólito vai com a patena e o segundo acólito vai com a candela, de modo que o primeiro fica à direita do bispo e o segundo à sua esquerda. Depois da comunhão, o segundo acólito já pode deixar a candela do lado da Epístola.

7. Depois que o primeiro acólito fizer abluções, coloca o solidéu no bispo. Após o cálice ser arrumado, o primeiro acólito leva-o novamente para a credência. O segundo acólito faz o Lavabo do bispo como já foi mostrado acima (se o primeiro acólito chegar a tempo deve ajudar, e para não complicar muito, pode, dessa vez, segurar a toalha).

8. Antes da bênção final mais respostas: V: Sit nomen Domini benedictum. R: Ex hoc nunc et usque in saeculum / V: Adjutorium nostrum in nomine Domini. R: Qui fecit caelum et terram.

9. Se tiver “cânon” o segundo acólito segurá-lo-á para o bispo; se não, segurará a sacra.

10. Depois de acabar a Missa, os acólitos ajudarão o bispo a tirar os paramentos. Depois o primeiro acólito pegará o pratinho para entregar a cruz peitoral; e o segundo acólito colocará o genuflexório para o bispo (se o bispo for fazer as orações finais, o genuflexório deve ser colocado antes) – os acólitos devem permanecer junto ao bispo.

6) Missa cantada com cerimoniário e turiferário


1. Turiferário à frente da procissão, com turíbulo na mão direita, os dois acólitos com as mãos postas, o clero presente, o cerimoniário e, por fim, o celebrante. Chegando ao altar o turiferário faz genuflexão e se dirige para o lado da Epístola. O cerimoniário fica à direita do celebrante e os acólitos um de cada lado. O cerimoniário recebe o barrete e passa-o ao primeiro acólito, fazem todos a genuflexão, se ajoelham, enquanto o primeiro acólito vai até a credência ou cadeira para deixar o barrete (ao voltar se ajoelha do lado da Epístola à direita do cerimoniário).

2. Se houver Asperges, entram os acólitos, em seguida o clero presente. Atrás entra o cerimoniário (direita) e o turiferário (esquerda), segurando a capa do celebrante. Chegando ao altar os acólitos se colocam um de cada lado; o turiferário permanece do lado esquerdo e o cerimoniário à direita do celebrante. O cerimoniário apresenta a água benta. Todos se ajoelham e o celebrante entoa o Asperges. Depois que o celebrante se aspergir, como também os ministros ao seu lado, todos se levantam. O celebrante tendo o cerimoniário à sua direita faz com este a genuflexão e asperge o clero e depois o povo. Se houver espaço o turiferário acompanha o celebrante segurando a capa do lado esquerdo.

3. Chegando ao altar de volta todos permanecem de pé até o final da oração. Finda a oração todos genuflectem e vão aos bancos. O cerimoniário recebe a capa do celebrante e passa ao turiferário que a leva para a sacristia. Depois de colocar o manípulo e a casula o celebrante vai ao meio do altar acompanhado dos acólitos e do cerimoniário para o início da Missa.

4. Terminadas as orações ao pé do altar, quando o celebrante subir ao altar, o cerimoniário suspende a alva do celebrante e dá um sinal para que todos se levantem; chama o turiferário, recebe a naveta e ambos se dirigem ao centro do altar para benzer o incenso. O cerimoniário oferece ao celebrante a colherinha, beija primeiro a colherinha e depois a mão do padre (na ordem inversa ao recebê-la). Depois que entregou a colherinha diz: “Benedicite pater reverende”, inclinando a cabeça.

5. Depois de bento o incenso, o cerimoniário recebe o turíbulo do turiferário e lhe entrega a naveta, passando, em seguida, o turíbulo ao celebrante. Beija a parte superior do turíbulo e depois a mão do celebrante. O turiferário deixa a naveta na credência, faz genuflexão no centro, e se coloca à esquerda do celebrante.

6. Enquanto o celebrante incensa a cruz, o primeiro acólito, sem genuflexão, pega o missal e fica de pé do lado da Epístola, virado para o altar. Ele fica com o missal, enquanto o celebrante incensa este lado do altar, voltando para seu lugar sem genuflexão. O cerimoniário e o turiferário acompanham o celebrante fazendo as genuflexões e sustentando-o com as mãos sob o cotovelo (mas não seguram a parte posterior da casula).

Após a incensação do altar, o cerimoniário recebe o turíbulo do celebrante (beijando a mão do sacerdote e depois o turíbulo), o turiferário desce com ele para o lado da Epístola e se coloca à sua esquerda. O cerimoniário, diante do celebrante, o incensa com três ductus de dois ictus, fazendo com o turiferário reverência profunda antes e depois. Em seguida o cerimoniário entrega o turíbulo ao turiferário, que volta ao seu lugar.

7. O cerimoniário mantém-se à direita do celebrante e lhe indica o Introito. Em seguida o celebrante recita o Kyrie alternando com o cerimoniário e os acólitos (que estão de pé). Se houver tempo, o celebrante faz vênia à cruz e vai se sentar; os acólitos fazem genuflexão no meio do altar e vão se sentar junto à credência, o cerimoniário permanece de pé à direita do celebrante, voltado para a nave.

8. Ao cantar-se o último Kyrie, o celebrante, ao convite do cerimoniário, se dirige ao centro do altar, onde, entre os dois acólitos e estando o cerimoniário à direita do primeiro acólito, faz, juntamente com eles, a genuflexão. O celebrante sobe ao altar para entoar o Gloria (se houver). Depois de recitado, o celebrante genuflecte no supedâneo; o cerimoniário e os acólitos acompanham a genuflexão e todos se dirigem para as cadeiras. Ao canto do “Cum Sanctu Spiritu”, todos voltam para o altar.

9. Depois do canto do Kyrie ou do Gloria, o celebrante canta o Dominus vobiscum e se dirige para o lado da Epístola para cantar a oração. O cerimoniário, estando do lado do missal, vira a página e indica as orações; os acólitos permanecem de pé.

10. Se o celebrante for sentar para o canto da Epístola, quando um cantor for cantá-la, o movimento é idêntico ao do Kyrie.

Terminado o canto da Epístola, o celebrante e o cerimoniário dirigem-se para o altar para rezar Gradual, Alleluia ou Tractus, e em seguida, regressam às cadeiras se o canto for longo. Se o celebrante não se sentar para o canto da Epístola todos permanecem no mesmo lugar, e vão se sentar só depois de rezado o Gradual, Alleluia ou Tractus.


11. No versículo que segue ao Alelluia, ou na última estrofe da prosa, ou no último versículo do Tractus, ao sinal do cerimoniário, todos se levantam e voltam para o altar para a benção do incenso, que se procede como no início. Terminada a imposição do incenso, enquanto o celebrante reza o Munda Cor Meum, o cerimoniário toma o missal e, com o turiferário, desce ao meio do altar; então os acólitos se juntam aos dois e todos fazem a genuflexão. O cerimoniário sobe para deixar o missal no altar, descendo em seguida para colocar-se à direita do turiferário; o turiferário vai para o lado do Evangelho e fica em baixo, de frente para o altar. Os acólitos se colocam juntos de pé no plano, na lateral do altar. Depois que o celebrante cantou “Sequentia” ou “Initium”, com o sinal da cruz, o turiferário passa o turíbulo ao cerimoniário, e este apresenta ao celebrante beijando o turíbulo e em seguida a mão do mesmo; o cerimoniário acompanha o celebrante nas reverências. Terminada a incensação do livro, o cerimoniário recebe de volta o turíbulo, beijando a mão do celebrante e o turíbulo, e o entrega ao turiferário. Terminado o canto do Evangelho, se o celebrante for pregar, os quatro ministros fazem juntos a genuflexão; o turiferário vai alimentar o turíbulo; os acólitos e o cerimoniário vão se sentar. Se outro sacerdote for pregar, o movimento é feito com o celebrante: cerimoniário à direita e turiferário à esquerda do celebrante, um acólito em cada ponta.

12. Terminado o sermão, os acólitos dirigem-se para o altar, fazem genuflexão com o celebrante ao sinal do cerimoniário; se o celebrante tiver pregado fazem genuflexão no centro, com o cerimoniário à direita do primeiro acólito; depois os acólitos abrem espaço e o cerimoniário vai para o lado da Epístola, todos permanecem de pé; todos os ministros genuflectem ao “Et incarnatus est”; tendo o celebrante recitado o Credo ele desce os degraus do altar para ajoelhar-se juntamente com os ministros ao canto do “Et incarnatus”. Se ainda faltar muito para o canto destas palavras, todos se dirigem para as cadeiras procedendo-se como no Glória. Então ao canto do “Et Incarnatus” o celebrante tira o barrete e se inclina assim como os acólitos, enquanto o cerimoniário se põe de joelhos. No “Crucifixus”, o cerimoniário, se for clérigo, vai levar o cálice para o altar, se o cerimoniário não for clérigo, um dos clérigos que estiverem no coro, dando preferência ao mais digno, vai levar o cálice ao altar depois do “Et homo factus est” do “Credo”, desdobra o corporal e coloca sobre ele o cálice coberto com o véu. Se não houver “Credo”, faz-se o mesmo logo depois do Evangelho. Ao canto do “Et vitam”, ao sinal do cerimoniário, todos voltam para o altar. Os ministros esperam, de pé, em seus devidos lugares o “Oremus” do Ofertório para fazerem a vênia.

13. Depois que fizeram a reverência no “Oremus” do Ofertório, os acólitos fazem ao meio a genuflexão; o segundo acólito vai dobrar o véu no cálice, e o primeiro acólito vai à credência para pegar as galhetas; depois de dobrar o véu o segundo acólito se coloca à esquerda do primeiro acólito e recebe deste a galheta com água. Fazem a reverência ao celebrante ao apresentar-lhe as galhetas beijando-as antes e depois (exceto na Missa de réquiem), e o saúdam novamente com uma inclinação de cabeça, antes de se retirarem. Em seguida voltam aos seus lugares e permanecem de pé.

14. No oferecimento do cálice, quando o celebrante estiver rezando o “Veni sanctificator spiritus”, o cerimoniário chama o turiferário e ambos sobem ao altar para a benção do incenso. Quando o celebrante estiver incensando a cruz o segundo acólito tira o missal, esperando do lado do Evangelho, e o põe de volta depois que o celebrante incensou este lado do altar. Desce em seguida, fazendo a genuflexão com o primeiro acólito no centro, e se dirigem para a credência, para preparar o Lavabo.

15. Terminada a incensação do altar, o cerimoniário incensa o celebrante, como no Introito; o segundo acólito pega com as duas mãos o manustérgio desdobrado, o primeiro acólito pega com a mão esquerda o pratinho, e com a direita a galheta de água, e se coloca à esquerda do segundo acólito. Os acólitos se aproximam do celebrante e fazem uma inclinação; o primeiro acólito derrama a água e o segundo acólito apresenta o manustérgio. Quando o celebrante devolve o manustérgio, os acólitos fazem a inclinação, voltam à credência e deixam a galheta, o manustérgio e o pratinho, pegando em seguida a campainha; depois vão ao meio do altar, genuflectem e ficam de pé, nos seus lugares, até serem incensados, em seguida ajoelham.

Depois de incensado o celebrante, o turiferário recebe o turíbulo do cerimoniário, fazem juntos a genuflexão diante do altar; o cerimoniário vai para o lado do Evangelho para indicar as orações ao celebrante; o turiferário vai incensar, primeiro o clero, um sacerdote de cada vez com um golpe duplo; em seguida o coro, primeiro o lado do Evangelho depois do da Epístola, com três golpes duplos de cada lado: um para o centro outro para a sua esquerda e outro para a sua direita.

16. O turiferário, depois que incensou o coro, vai diante do altar e faz a genuflexão e incensa de um ducto e um ictus a cada um, ao cerimoniário, ao primeiro acólito e ao segundo acólito. Em seguida faz a genuflexão, vai até a entrada do coro, e incensa o povo com 3 ductus e um ictus (no meio, à sua esquerda e à sua direita); depois, volta diante do altar faz a genuflexão e vai alimentar o turíbulo, para entrar na hora do Sanctus. Se não houver clero, o turiferário espera o fim do Lavabo para incensar os ministros.

17. O cerimoniário deve estar atento para indicar as orações ao celebrante e virar as páginas do missal. Pouco antes da consagração, o turiferário se coloca ao lado da Epístola; o primeiro acólito, põe o incenso no turíbulo. O turiferário se ajoelha no degrau central mais baixo, ao mesmo tempo que o cerimoniário se ajoelha do lado esquerdo do celebrante, ou seja, quando tiver virado a folha do missal que corresponde à Consagração, e incensa o Santíssimo com 3 ductos de 2 ictus a cada elevação, fazendo uma inclinação mediana, antes e depois. O cerimoniário, de joelhos à esquerda do celebrante, levanta a casula durante a elevação. O primeiro acólito toca a campainha, ou os dois, se houver duas campainhas.

Depois da consagração, o cerimoniário e o turiferário se levantam; o cerimoniário continua a virar as folhas do missal. O turiferário depois de fazer uma genuflexão no centro vai deixar o turíbulo na sacristia. Em seguida volta e se ajoelha ao lado direito do primeiro acólito. Os acólitos permanecem de joelhos até o “Domine non sum dignus”.


 18. Quando o cerimoniário virou a folha do missal onde esteja o “Domine non sum dignus”, ele desce os degraus e se ajoelha ao lado esquerdo do segundo acólito. Terminado o terceiro “Domine non sum dignus”, os quatro se levantam; o primeiro acólito vai à credência deixar a campainha e pegar a patena. Quando o primeiro acólito chegar, fazem todos a genuflexão e sobem ao supedâneo para comungar. Quando o sacerdote estiver comungando o Preciosíssimo Sangue, o cerimoniário reza o “Confiteor”, que todos acompanham. Depois que comungaram, os acólitos voltam para seus lugares ao pé do altar e se ajoelham; o turiferário volta a se ajoelhar ao lado do primeiro acólito; e o cerimoniário acompanha o celebrante com a patena. Ao voltar da comunhão, o cerimoniário se coloca de joelhos no degrau inferior do altar, do lado da Epístola.

19. Depois da comunhão, quando o celebrante fechar o sacrário, todos se levantam; o primeiro acólito vai pegar as galhetas que apresenta ao celebrante como na Missa rezada. Após deixar as galhetas na credência vai ao meio do altar e faz genuflexão com o segundo acólito; em seguida o primeiro acólito transporta o missal enquanto que o segundo acólito transporta o véu do cálice. Depois que o celebrante cobriu o cálice, descem e se colocam cada qual no seu lugar. O turiferário vai à sacristia buscar o turíbulo e se coloca junto à credência, onde permanece até a procissão de saída. Durante o Último Evangelho, o próprio turiferário coloca incenso no turíbulo.

20. O cerimoniário, quando o celebrante fechou o sacrário, se levanta e permanece no mesmo lugar, do lado da Epístola; quando o primeiro acólito deixar o missal sobre o altar ele sobe e se coloca do lado do missal, no lado da Epístola, marca o missal para a antífona de comunhão e assiste durante as orações. Depois da última oração, ele fecha o missal, pega e mostra ao celebrante um livro com o “Ite Missa est”. Quando o celebrante terminou de cantar o “It Missa est”, o cerimoniário desce, faz genuflexão no meio e se coloca do lado do Evangelho, de pé; quando o coro terminar de cantar o “Deo gratias”, ao sinal do cerimoniário, todos se ajoelham para a bênção; terminada a bênção todos se levantam e o cerimoniário vai segurar a sacra para o sacerdote; se houver um Evangelho próprio ele deixa o missal aberto e o leva para o lado do Evangelho, assim que o celebrante cantar o “It Missa est”. Durante o Evangelho os acólitos estão de pé virados para o celebrante; no “Et Verbum” eles fazem a genuflexão.

OBS 1: Coloca-se uma candela ao lado do missal (a candela deve estar sempre junto do missal).

OBS 2: Coloca-se um genuflexório aos pés do altar para o bispo com o “cânon”.

21. Depois do Último Evangelho, o cerimoniário vai pegar o barrete do celebrante; quando este desce, todos fazem a genuflexão, depois o cerimoniário entrega o barrete ao celebrante beijando primeiro o barrete e depois a mão do celebrante. Voltam para a sacristia na mesma ordem de entrada. Chegando à sacristia o celebrante tira o barrete e todos fazem vênia à cruz como antes da Missa; o celebrante tira os paramentos, ajudado pelo cerimoniário.

Fontes:
 
1) Uma apostila do Pe. Claudiomar, liturgista da Administração Apostólica de Campos.

2) Minha experiência como acólito no rito gregoriano.

3) Uma apostila do Sr. Francisco Alberto.

4) Missal D. Gaspar Lefebvre.

Em relação ao ponto 6, o confrade Karlos André fez as seguintes observações no Orkut:

1. Turiferário à frente da procissão, com turíbulo na mão direita, os dois acólitos com as mãos postas, o clero presente, o cerimoniário e, por fim, o celebrante.

O turíbulo fica na mão esquerda e a naveta na direita (sempre dada ao cerimoniário quando usada). Isso não significa que na abundância de ajudantes um não fique nesta função.

Outra variação é ter a cruz de procissão e as velas (neste caso levadas pelos acólitos - sempre). Entretanto isso não é típico da Missa cantada, mas da Missa solene.

Aqui, fazemos como a norma não pede. Entretanto, embora a norma não peça, a FSSPX e a FSSP fazem desta maneira que descrevi. Em Campos, fiquei confuso, pois uma Missa celebrada por um padre de lá foi do jeito que a norma não previa, mas ele me disse que estava errado. Enfim, é bom lembrar que isso não é uma regra certa, até onde sei. Todos os livros preceituam as ações do celebrante e seus ministros (quando há); até no novo rito é bem aberto as posições dos ajudantes, ficando normatizado a função do cerimoniário.

Por fim, se houver Asperges, o celebrante entra de pluvial e não de casula. Na abundância de ajudantes, dois podem segurar o pluvial de cada lado. Pelo que vi em Campos, neste caso, não se entra com o turíbulo, e o que faria a vez do turiferário, junto com o cerimoniário, segura o pluvial do celebrante.

O cerimoniário fica à direita do celebrante e os acólitos um de cada lado. O cerimoniário recebe o barrete e passa-o ao primeiro acólito, fazem todos a genuflexão.

Aqui fazemos como a FSSPX. Como há cadeiras para os acólitos, eles não genufletem com o celebrante, apenas o cerimoniário faz isso.

2. Se houver Asperges, entram os acólitos, em seguida o clero presente. Atrás entra o cerimoniário (direita) e o turiferário (esquerda), segurando a capa do celebrante.

Também pode-se optar por não segurar a capa do celebrante.

7. O cerimoniário mantém-se à direita do celebrante e lhe indica o Introito. Em seguida o celebrante recita o Kyrie alternando com o cerimoniário e os acólitos (que estão de pé). Se houver tempo, o celebrante faz vênia à cruz e vai se sentar; os acólitos fazem genuflexão no meio do altar e vão se sentar junto à credência, o cerimoniário permanece de pé à direita do celebrante, voltado para a nave.

Claro que na condição de já ter a cadeira, os acólitos podem ficar lá o tempo todo (como na Missa de Chardonnet). É bom lembrar que neste caso as cadeiras dos acólitos e demais ajudantes NUNCA devem ficar no mesmo alinhamento que a do celebrante, mas sempre atrás, pois apenas os ministros - diácono e subdiácono têm esse privilégio (nem o presbítero assistente na Missa pontifical o tem).

Essa posição do cerimoniário é meio estranha. Uma vez que o lado do padre é o direito (Epístola), se ele ficar à sua direita e voltado para o povo, dará as costas ao celebrante...

8. Ao cantar-se o último Kyrie, o celebrante, ao convite do cerimoniário, se dirige ao centro do altar, onde, entre os dois acólitos e estando o cerimoniário à direita do primeiro acólito, faz, juntamente com eles, a genuflexão.

Este movimento (dos acólitos) não é necessário se os acólitos ficarem em suas cadeiras.

Uma coisa que me fez estranhar é o cerimoniário não ficar ao lado do celebrante, coisa que não pode ocorrer.

10. Se o celebrante for sentar para o canto da Epístola, quando um cantor for cantá-la, o movimento é idêntico ao do Kyrie.

Claro que este cantor tem que ter recebido ao menos a ordem menor (ou ministério, como de diz hoje) de leitorato.

Terminada a imposição do incenso, enquanto o celebrante reza o Munda Cor Meum, o cerimoniário toma o missal e, com o turiferário, desce ao meio do altar; então os acólitos se juntam aos dois e todos fazem a genuflexão.

Isso se não houve o assento dos acólitos. Caso haja, ele não se juntam e o movimento é feito com o cerimoniário e o turiferário somente.

Os acólitos se colocam juntos de pé no plano, na lateral do altar.

Se eles tiverem assento, como eu disse, nada fazem.

No “Crucifixus”, o cerimoniário, se for clérigo, vai levar o cálice para o altar, se o cerimoniário não for clérigo, um dos clérigos que estiverem no coro, dando preferência ao mais digno, vai levar o cálice ao altar depois do “Et homo factus est” do “Credo”, desdobra o corporal e coloca sobre ele o cálice coberto com o véu.

Parece haver um relaxamento da exigência clerical para se proceder a arrumação do cálice.

Quando o celebrante estiver incensando a cruz o segundo acólito tira o missal, esperando do lado do Evangelho, e o põe de volta depois que o celebrante incensou este lado do altar.

Dá-se preferência ao primeiro, por ser mais digno.

19. Depois da comunhão, quando o celebrante fechar o sacrário, todos se levantam; o primeiro acólito vai pegar as galhetas que apresenta ao celebrante como na Missa rezada.

Nada impede que os dois acólitos ajudem na ablução (como fazemos aqui e faz a FSSPX e a FSSP).

em seguida o primeiro acólito transporta o missal enquanto que o segundo acólito
transporta o véu do cálice.


Aqui fazemos o contrário e esqueci como é feito na FSSPX.

Para enriquecer, as funções em ordem de dignidade da Missa cantada são:

1. Cruciferário.
2. Cerimoniário.
3. Turiferário.
4. Naveteiro (se houver; se não houver o cruciferário pode assumir essa função).
5. Acólito 1
6. Acólito 2

Algumas fotos ilustrando isso (Missa de Nossa Senhora da Conceição/2011 em Recife):






segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A candela





Candela é o objeto que serve para segurar a vela que, nas Missas pontificais, deve acompanhar o Missal. Tem sua origem, provavelmente, no necessidade de luz para que o Ancião (Bispo) pudesse ler melhor as orações da Missa. 

Mais tarde, com o advento do luz elétrica, ficou sem uso prático, restando somente o sentido espiritual (como ocorreu com a maioria dos paramentos, pontificais ou não): mostrar o Bispo como o único que tem o múnus de ensinar na Igreja, pois a luz o acompanha (a Palavra de Deus é a lâmpada a guiar nossos passos, como diz o salmista).

- Karlos André, na Apologética Católica

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os "chifres" de Moisés

Recentemente, na comunidade do Orkut, fizeram uma interessantíssima pergunta questionando o motivo pelo qual várias representações de Moisés feitas pelos cristãos o apresentam com feixes de luz ou chifres saindo da testa. Eu nunca tinha notado isso, mas é uma verdade inegável, vejam:





Pesquisando, descobri que a raiz desse mistério está numa tradução errada feita por São Jerônimo de  Êxodo XXXIV, 29:

Quando Moisés desceu a montanha do Sinai, trazendo nas mãos as duas tábuas do Testemunho, sim, quando desceu a montanha, não sabia que a pele de seu rosto resplandecia porque havia falado com Ele.

Ele se equivocou quando verteu o versículo para o latim, traduzindo raios de luz (o resplandecimento) por chifres de luz, já que a palavra hebraica karan pode significar raios ou chifres.

Esse é um erro que pode ser cometido com certa facilidade, como está explicado no seguinte vídeo:


Por outro lado, vale notar que o "chifre" não é um símbolo destituído de significado para o catolicismo, como explicou o confrade Otávio

Na verdade, ao contrário do que se pensa, o chifre tem uma importância fundamental para o judaísmo, cristianismo e outras religiões pré-cristãs não apenas pelas representações plásticas, mas também, semioticamente (pois trata de um símbolo) e filologicamente, o que nos ajuda a entender um pouco o sentido dele na Sagrada Escritura (tarefa árdua, pois, de acordo com um levantamento que fiz, a vasta ocorrência do(s) chifre(s) revela uma importância dificilmente encontrada em outros elementos culturais.

O desapreço estético contra a presença dos chifres na arte cristã se dá pela distância histórica que temos em relação à concepção que os antigos atribuíam ao elemento visual. Portanto, como vivemos em uma época em que o "chifre" possui conotação perjorativa (demônio, vítimas de infidelidade etc.), há uma repugnância imediata por parte dos não iniciados nos estudos da cultura semítica.

Acredito que os confrades já resolveram a questão, mas posso contribuir com algo, mesmo sendo redundante em muitos aspectos. Julguei pertinente separar minha postagem por tópicos, para garantir uma melhor organização das ideias:

1) Comentário bíblico da tradução da Vulgata em Ex 34, 29-35

2) A luz, como símbolo antropológico e religioso do conhecimento superior

3) A importância do chifre na cultura dos povos da Antiguidade

4) A importância do chifre na Sagrada Escritura

5) Considerações sobre o chifre enquanto representação na arte cristã

6) Conclusão

7) Bibliografia


1) COMENTÁRIO BÍBLICO DA TRADUÇÃO DA VULGATA EM Ex 34,29-35

Na Bíblia do Peregrino (2006, p. 170), Luís Alonso Schökel faz o seguinte comentário:

"34,29-35 Moisés se expôs à luminosidade esplendente, a glória do Senhor, e a luz o transfigurou sem que ele o notasse. Seu rosto tornou-se luminoso, com luz refletida. Tudo o que diz é ressonância de Deus, do mesmo modo que sua luminosidade é reflexo de Deus. O esplendor é como um halo que emoldura o oráculo e o mediador. O fenômeno se repetirá, não já na montanha, mas na tenda do encontro."

Que nos parece? Schökel não parece ter interesse na questão das representações artísticas, mas somente no texto em si mesmo e expõe uma teologia bíblica interessante. Por mais que Moisés fosse como um de nós ("imagem" e semelhança de Deus, como em Gn 1,26), sua exposição à santidade e presença de Deus o fez ainda "mais semelhante". Tal atestado, apesar de desconcertante à primeira vista, pode ser associado à própria vida dos santos: sua adesão à Deus era tal que faziam milagres, curavam doentes, se "transportavam" de um lugar para outro como Jesus, se resplandeciam de luz, como luz do mundo etc. Como? Para quem intensifica o contato com o próprio Deus, intensifica também sua semelhança.

Como Deus é "luz", o contato de Moisés com Deus e sua exposição à luz divina, refletiu o que Deus é nele mesmo: LUZ!

O verbo "resplandecer", que ocorre somente neste capítulo, é um denominativo do substantivo "clarim". A Vulgata traduz por cornuta ("chifre" em latim), que posteriormente tornou-se a fonte das representações artísticas de Moisés com chifres em sua cabeça. Richard J. Clifford (2007, p. 159) comenta que, na realidade, o brilho em sua face expressa seu lugar privilegiado como servo íntimo de Yahweh, o que confirma a dissertação de Schökel.

2) A LUZ, COMO SÍMBOLO ANTROPOLÓGICO E RELIGIOSO DO CONHECIMENTO SUPERIOR

Partimos agora, de uma breve exposição semiótica da luz como símbolo.

Considerada do ponto de vista do homem, a luz pode lembrar também todo o campo do conhecimento. A metáfora toca de certa forma o símbolo quando o conhecimento em questão provém do Senhor. Nesse campo, podemos distinguir três níveis de simbolização: aprendizado da Lei, mistérios do mundo criado, e os mistérios do mundo incriado. O caso de Moisés situa-se no segundo nível.

 1º O primeiro é o do aprendizado da Lei, entendida não no sentido estreitamente comportamental, mas na perspectiva global da experiência religiosa da aliança. O conhecimento prático do agir correto, todo sapiencial, se adquire pelo contato assíduo com a Lei escrita, que é Palavra de Deus: ela é uma “luz imperecível” (Sb 18,4), que ilumina o caminho do justo, cf. Sl 119,105.130. Também em Eclo 24,32; 50,29 na versão da Septuaginta (o texto hebraico é diferente); Sb 5,6; Is 2,5 (cf. v3); 5,20; 26,9 (somente na Septuaginta); 51,4; Os 10,12 (cf. Septuaginta); Br 4,23. Em Rm 2,19, Paulo critica os judeus que, invocando a Lei, se tomam pela “luz daqueles [que estão] nas trevas”, i.é., no fundo, como porta-luzes.

Pela lógica da expressão, essa luz divina, guia da moralidade, não é interior, mas brilha diante dos olhos do homem (cf. Sl 19,9), embora o lugar de assimilação da Palavra só possa ser o coração. Por isso, no caso, a expressão pertence mais ao símbolo (i.é., ao campo simbólico) do que à metáfora.

2º O segundo nível é o dos mistérios do mundo criado, inapreensíveis para o comum dos mortais. Esse conhecimento, sapiencial também, provém, contudo, de uma iluminação do coração de origem transcendente. Daniel, penetrado do “sopro do Deus santo”, possui “luz, inteligência e sabedoria como a sabedoria de Deus” (Dn 5,11.14; cf. também 2,22). Os três termos, sinônimos (hendíadis), situam claramente o conhecimento do jovem no registro da ciência, se bem que se trate de ciência infusa. Por isso, a metáfora se abre mais para o símbolo. O caso de Moisés, o sábio, o homem da Lei por excelência, tão transformado por seu encontro com o Senhor que, segundo a tradição recebida, sua iluminação interior transparecia por fora: “a pele de seu rosto brilhava”, de modo que ele teve de cobri-lo com um véu (Ex 34,29-30.34-35).

3º Só o NT atinge o terceiro nível, que diz respeito aos mistérios do mundo incriado. Também esse conhecimento provém de uma “iluminação” de origem divina, mas não tem nada em comum com a sabedoria deste mundo. Trata-se do dom da fé, o qual “ilumina os olhos do coração” do homem, para que chegue ao conhecimento profundo do desígnio divino de salvação em Jesus Cristo (Ef 1,18; também de acordo com 2Cor 4,6; 2Tm 1,10). Disso decorre a responsabilidade da evangelização: o crente deve tornar-se, por sua vez, “luz do mundo” (cf. Mt 5,14-16; Fl 2,15-16), porque o verdadeiro conhecimento só pode irradiar-se de corações iluminados.

3) A IMPORTÂNCIA DO CHIFRE NA CULTURA DOS POVOS DA ANTIGUIDADE

Na Antiguidade (LURKER, 2006, p. 51), os povos consideravam o chifre, enquanto arma de ataque e defesa, como símbolo de força física e poder supra-humano. No Egito antigo, os chifres, em ligação com a coroa, serviam muitos deuses como adorno da cabeça e eram considerados pelo povo simples como súmula do terror que cerca o sobrenatural. Faz-se relação simbólica especial entre chifre e sol.

Figuras rupestres do norte da África mostram carneiros e búfalos que trazem a esfera do sol entre os chifres. A deusa do céu Hátor traz na cabeça o chifre de rez com a esfera do sol. Na arte da mesopotâmia antiga, as divindades são ornadas com a coroa de chifres, como que símbolo de seu poder supraterreno. Na época do helenismo, governantes faziam cunhar sua imagem com testa coroada de chifres em moedas.

Os animais portadores de chifres em larga escala são considerados como símbolos de fertilidade. Assim, também o chifre é sinal de abundância (cornucópia), da hospitalidade, da generosidade, da paz e da esperança; em representações das partes do mundo é símbolo da Europa e da África. Segundo o Dicionário dos Símbolos: imagens e sinais da arte cristã (HEINZ-MOHR, 1994, p. 96), também é atributo do profeta Jonas e da Sibila délfica.

4) A IMPORTÂNCIA DO CHIFRE NA SAGRADA ESCRITURA

O chifre é antigo símbolo da excelência, da elevação e do poder. Assim, a Bíblia fala do "chifre da salvação". (1Sm 2,1; Sl 18,3; 148,14; Lc 1,69; Ap 5,6: o cordeiro com sete chifres) e conhece a unção régia com óleo do chifre. Por isso, na Bíblia, o chifre é sinal de poder e força. O Senhor faz para o seu povo chifres de ferro e cascos de bronze, para que ele esmague numerosos povos e consagre a Yahweh os seus despojos (Mq 4,13). Aos piedosos Deus ergue o chifre (Sl 92,11), expressão eloqüente para dizer a graça de Deus. Quem teme a Deus e anda de acordo com seus mandamentos, a "sua força se exalta em glória" (Sl 112,9).

Enquanto o Senhor ergue o chifre do seu povo (Sl 148, 14), abater-se-á o chifre de Moab (Jr 48, 25), ou seja, o seu poder será desbaratado. "Ele corta o chifre dos ímpios, mas o chifre do justo será erguido" (Sl 75,11). O próprio Senhor é designado, no cântico de ação de graças depois de batalha com êxito, como chifre de salvação (Sl 18,3). Como sinal especial de poder divino de bênçãos eram considerados os chifres de metal dos quatro cantos do altar dos perfumes da Tenda da Reunião (Ex 27,2; 30,2).

Também junto do altar dos holocaustos que estava no templo salomônico "se levantavam quatro chifres" Ez 43,15). Aspergindo os chifres com o sangue dos animais sacrificados se queria indicar a doação de vida a Deus de modo particular. Já Aarão e seus filhos receberam, por ocasião de sua consagração como sacerdotes, a ordem: "Tomarás parte do sangue do bezerro e com o dedo o porás sobre os chifres do altar" (Ex 29,12). Terrível castigo é quando o Senhor corta os chifres do altar e estes caem em terra (Am 3,14). Quando um acusado, fugia para o templo e tocava nos chifres do altar, colocava-se sob a proteção de Deus e era salvo — caso não tivesse cometido nenhum crime premeditado (1Rs 1,50-53).

Com apoio nos salmos diz-se em Lucas: "Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e suscitou-nos um chifre de salvação na casa de Davi, seu servo" (Lc 1,68ss). O Cordeiro apocalíptico "tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra" (Ap 5,6). Os sete chifres do cordeiro são símbolos da onipotência de Cristo. Em contrapartida, os dez chifres do grande Dragão vermelho (Ap 12,3) expressam a maldade satânica, que por fim vai se desmascarar como impotência.

5) CONSIDERAÇÕES SOBRE O CHIFRE ENQUANTO REPRESENTAÇÃO NA ARTE CRISTÃ(1)

Na semiótica da arte cristã, entra também a ideia simbólica dos chifres que Moisés trazia ao vir de novo para junto do povo depois do encontro com Yahweh no Sinai, irradiante um poder espiritual quase atemorrizante, como já comentei em Ex 34,29.35.

Não obstante termos aí uma falsa maneira de ler texto bíblico latino que se acha na base dessa interpretação¹, pode-se reconhecer e é legítima a interpretação simbólica que lhe subjaz.

De acordo com Heinz-Mohr (1994, p. 97), tanto Boticelli como Signorelli optaram em suas imagens de Moisés (ambas na Capela Sistina do Vaticano) por feixes de raios em vez dos chifres, e também Jan Gossaert (Kunsthistor: Museu de Viena), mas isso não significa que outros artistas tenham representado os chifres conscientes de seu significado (o que não fere o simbolismo usado na arte e na fé católica).

O chifre como instrumento de sopro encontra-se também em anjos do Juízo Final e como atributo de São Brás e São Cornélio, ambos os casos com base em jogo de palavras (no alemão, blasen = soprar e no francês, cor). Um chifre de caçador portam São Eustáquio, São Humberto e São Osvaldo.

No entanto, recorrendo às antigas configurações, também o diabo recebeu na arte e na fé popular uma série de traços animalescos, entre os quais sobressaem os chifres que frisam o poder do mal (daí a repulsa de muitos em aceitarem os chifres na arte cristã de bom-grado, por causa da sua associação com o retrato do demônio).

Mas, de todas as representações de Moisés ornado de chifres, a mais conhecida é mesmo a escultura de Michelângelo (que, no caso dele, reproduziu erroneamente Moisés por ter-se se servido da tradução latina da passagem bíblica hebraica de Ex 34,29ss). Como já foi exposto alhures, não eram chifres que saíam de sua face (facies cornuta), mas raios (facies coronata).

6) CONCLUSÃO

Sabemos, portanto, das qualidades simbólicas que, tanto da luz quanto do chifre, serviram para transmitir mensagens teológicas importante para nós e para os povos de todas as épocas que esses elementos estiveram presente.

Mesmo assim, não podemos e nem devemos depreciar as várias representações de Moisés com chifres, seja na pintura, seja na escultura, pois a configuração artística deste equívoco da Vulgata fala, porém, tanto mais da força de expressão do antigo símbolo, pois que se acreditava reconhecer no fato dos chifres de Moisés a força transmitida a ele por Deus.

7) BIBLIOGRAFIA

Esta é uma bibliografia básica e não tem a intenção de ser exaustiva, muito menos de abordar todas as vertentes semióticas, filológicas, artísticas ou exegéticas que o tópico suscita. A quem se interessar, pode consultar as referências que os autores abaixo se serviram para maior aprofundamento.

BÍBLIA. Português. SCHÖKEL, Luís Alonso. Bíblia do Peregrino. Trad. Ivo Storniolo; José Bortolini. 2ª ed. São Paulo: Paulus, 2006. p. 170.

CLIFFORD, Richard J. Êxodo. In: BROWN, R. E.; FITZMYER, J. A; MURPHY, R. E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. São Paulo: Academia Cristã; Paulus, 2007. p. 159.

GIRARD, Marc. Os Símbolos na Bíblia: ensaio de teologia bíblica enraizada na experiência humana universal. 2ª ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 148.

HEINZ-MOHR, Gerd. Chifre. In: ______. Dicionário dos Símbolos: imagens e sinais da arte cristã. Trad. João Rezende Costa. São Paulo: Paulus, 1994. pp. 96-97. (Série Dicionários)

LURKER, Manfred. Chifre. In: ______. Dicionário de Figuras e Símbolos Bíblicos. 2ª ed. São Paulo: Paulus, 2006. pp. 51-52. (Série Dicionários)

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¹ Que traduziu os raios, de que o texto fala, por "chifres" — facies cornuta em vez de facies coronata — um erro que só foi corrigido pelo Concílio de Trento no séc. XVI e até então marcou as representações de Moisés até o Moisés de Claus Steler na fonte da Kartause Champmol (fins do séc. XIV) e a imponente representação de Michelângelo no mausoléu do papa Júlio (S. Pedro in Vicoli, Roma).

Naturalmente que lá na comunidade os dons e conhecimentos de cada um são diferentes, de modo que tive de perguntar a Otávio qual seria um conceito de semiótica. Ele, sempre solícito, respondeu o seguinte:

Várias são as definições de semiótica. As mais conhecidas são:

1) "A semiótica é a ciência dos signos e dos processos significativos (semiose) na natureza e na cultura" (NÖTH, 2003, p. 17);

2) É a "ciência dos signos" (SANTAELLA, 1983, p. 7; SANTAELLA, 2008, p. XI);

3) "É a ciência geral de todas as linguagens" (SANTAELLA, 1983, p. 8) ou

4) É a ciência geral "de toda e qualquer linguagem" (SANTAELLA, 1983, p. 10).

Etimologicamente, o termo Semiótica provém do grego Σημειωτικός (Sēmeiōtikós, numa transliteração mais exata) e é a junção de dois outros vocábulos: σημεĩον (sēmeĩon) que quer dizer “signo” (NÖTH, 2003, p. 21; SANTAELLA, 1983, p. 7) ou Σημα (Sēma-), um radical que tem por significado “sinal”, que pode ser traduzido por “signo” também (NÖTH, 2003, p. 21) e ωτικός (ōtikós = ótica).

Infelizmente, nem sempre, no decorrer da história da semiótica, houve consenso sobre o uso da sua etimologia (NÖTH, 2003, p. 21-22). De acordo com Winfried Nöth (2003, p. 21), a palavra Semio- é “uma transliteração latinizada da forma grega semeîo-, e os radicais parentes, sema(t)- e seman-, têm sido a base morfológica para várias derivações de vocábulos que dão nome às ciências semióticas” (NÖTH, p. 21).

Mesmo que existam duas formas etimológicas para designar a mesma ciência semiótica — semeiotica e semeiologia, segundo Nöth (2003, p, 21), assim como hoje também é conhecida sua forma plural em inglês Semiotics que “é de origem relativamente recente” (NÖTH, 2003, p. 22), também houveram etimologicamente vocábulos distintos que precederam os descritos acima, “tais como semiologia, semântica, sematologia, semasiologia, semologia, além dos termos usados por Lady Welby: sensifics e significs” (WELBY apud NÖTH, 2003, p. 21).

Apesar de Charles Sanders Peirce (1839 – 1914) ser o filósofo cuja obra percorreu “todas as áreas da filosofia e, além disso, quase todas as ciências do seu tempo” (NÖTH, 2003, p. 60), e que — sozinho — dialogou com “25 séculos de tradição filosófica ocidental” (SANTAELLA, 1983, p. 27), ele nunca usou o termo plural inglês semiotics (NÖTH, 2003, p. 22) para designar a “ciência de toda e qualquer linguagem” (SANTAELLA, 1983, p. 10), preferindo – ao invés disso – vocábulos como semeiotic, semiotic e até semeotic (NÖTH, 2003, p. 22).

Então, basicamente a semiótica é a ciência que se dedica ao estudo geral de todas as linguagens e processos significativos. E eu a uso aplicada à arte cristã e à exegese católica.
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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

NÖTH, Winfried. Panorama da Semiótica: de Platão a Peirce. 4ª ed. São Paulo: Annablume, 2003.

SANTAELLA, Lúcia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983.

______. Semiótica Aplicada. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

SANTAELLA, Lúcia; NÖTH, Winfried. Imagem: Cognição, semiótica, mídia. 4ª ed. São Paulo: Iluminuras, 2005.

Uma curiosidade sobre C. S. Peirce:

Ele é meu semioticista predileto, pelas razões que expus acima, e também o é de intelectuais contemporâneos, como o alemão W. Nöth e a brasileira Lúcia Santaella. Peirce é o mais completo dos semioticistas, pois seu sistema categorial triádico classifica todos os tipos de signos em apenas 3 classes fenomenológicas, proeza esta perseguida por filósofos como Aristóteles, Santo Agostinho e Kant.

Esta alcunha de “filósofo”, como também de “cientista”, é atestada por Max H. Fisch (apud SANTAELLA, 1983, p. 26) e por Santaella (1983, p. 22, 24), apesar dele não ter sido reconhecido em seu tempo nem por filósofo, nem como cientista (SANTAELLA, 1983, p. 24), mas somente após a sua morte (SANTAELLA, 1983, p. 24).

Dança e música secular na Missa?

O Cardeal Francis Arinze, Prefeito da Congregação para o Culto Divino entre 2002 e 2008, responde a perguntas sobre dança litúrgica e música secular na Missa:

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Fração no rito moçárabe

Uma das coisas que mais chamam a atenção no rito moçárabe é a maneira em que a Hóstia é fracionada na patena:



A Enciclopédia Católica (edição de 1913) comenta assim essa maneira de fracionar a hóstia: 
A Hóstia é primeiro dividida em duas metades, depois uma delas é dividida em cinco e a outra em quatro partes. Sete dessas partículas são dispostas na forma de uma cruz; cinco, chamadas Corporatio (Encarnação), Nativitas, Circumcisio, Apparitio (Epifania) e Passio formam a parte vertical, e duas, chamadas Mors e Resurrectio, a parte horizontal. Essas últimas são postas ao lado da partícula Nativitas, juntamente com as partículas Gloria e Regnun (postas juntas num dos lados). 
D. Fernand Cabrol, no seu A Missa nos ritos ocidentais, ensina: 
No rito moçárabe a Fração é complicada. O padre divite a Hóstia pelo meio, colocando metade na patena; a outra metadade é dividida em cinco partes, que também são postas na patena. Ele, então, divide a primeira parte em quatro. As nove partículas obtidas são arranjadas na forma de um cruz, e cada uma recebe um nome: Corporatio (ou Encarnação), Nativitas, Circumcisio, Apparitio (ou Epifania ), Passio, Mors, Resurrectio, e, separadamente, Gloria, Regnum. 
A liturgia das Sés Primazes, de Archdale King: 
O modo particular no qual a Hóstia é dividia em nove partes, e disposta simblicamente na patena em forma de cruz, é, de certa forma, similar ao que havia nos ritos galicano e celta... Algumas vezes as partículas eram arranjadas sobre a patena de uma maneira que lembrava uma forma humana. Essa prática foi denunciada pelo segundo concílio de Tours (567), e foi decretado que elas deveriam ser postas em forma de cruz. Um tratado irlandês sobre a Missa incorporado ao Missal celta de Stowe (final do século VIII e começo do século IX) fala da Hóstia dividida de sete maneiras diferentes dependendo do dia. O número de partículas variava de cinco, numa Missa de dia comum, até secenta e cinco, na Páscoa, Natal e Pentecostes. Elas eram dispostas em forma de cruz, com posições adicionais quando eram muitas as divisões. Na Comunhão, cada partícula da cruz era distribuída para um grupo especial de pessoas (padres, monges, etc.). No rito moçárabe, o sacerdote primeiro divide a Hóstia ao meio, colocando metade sobre a patena, e dividindo a outra metade em cinco partes, que ele também coloca sobre a patena. Então, a primeira metade é dividida em quatro partículas. Cada fragmento assim formado tem o título de um mistério da vida de Nosso Senhor, que o padre menciona em sua divisão específica. A cerimônia da fração tem um paralelo com a proskomide bizantina, que é uma antecipação da fração do pão consagrado... O simbolismo também sugere que a Corporatio é a primeira partícula, como a Encarnação é o começo de nossa salvação, enquanto o braço da cruz é completado pela Resurrectio, o mistério que consuma a Paixão e Redenção. As partículas Gloria e Regnum também são colocadas na patena dado que Cristo, o vencedor da morte, está sentado à direita do Pai, o seu reino é eterno, nem a “glória” nem o “reino” são limitados pelo tempo ou pelo espaço. Quando a fração é completada, o sacerdote limpa os dedos... 
Essas traduções acima são minhas e livres.